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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

MANIFESTO ANTI-COELHO

 

MANIFESTO ANTI-COELHO

Baseado na obra "Manifesto Anti-Dantas", de José de Almada Negreiros, poeta d’Orfeu, futurista, referindo-se a Julio Dantas, poeta, matemático e político português.

(Ouça antes o “Manifesto Anti-Dantas” no You Tube)

https://www.youtube.com/watch?v=Izz4aoZ1Bsw

 

 Basta pum basta!!!

Uma cultura que consente em representar-se por um Coelho é uma cultura que nunca o foi. É um aprendizado de rude, de indignos e de cegos! É uma resma de charlatões e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!

Abaixo essa cultura!

Fora o Coelho, fora!  Pim!

Uma cultura com um Coelho à frente é um trenó puxada a renas impotentes!

Uma geração com um Coelho à proa é uma canoa à deriva!

O Coelho é um fanfarrão!

O Coelho é muito fanfarrão!

O Coelho saberá atirar flechas, fazer poses de Narciso, dar entrevistas, fazer auto-biografia, saberá muitas coisas, menos escrever que é a única coisa que ele faz!

O Coelho pesca tanto sobre misticismo que até escreve plágios!

O Coelho é um habilidoso!

O Coelho usa o “pé” como amoleto!

O Coelho anda à mal maíça!

O Coelho especula e inocula os Imortais!

O Coelho é coelho!

O Coelho é Paulo!

Fora Coelho, fora!  Pim!

 

O Coelho fez uma apologia a Brida que tanto o podia ser apologia a Lesbo, à Cannabis, à Papoula, ou às Bruxas, ou à Verônika, ou às alcoviteiras!

E o Coelho teve claque! O Coelho teve palmas! E o Coelho se engrandece!

O Coelho é um Titivillus!

As escritas que ele faz tem mais erros e menos califasia.

Não é preciso ir a Santiago para ser um "mago", basta ser embusteiro!

Não é preciso ser copista para ser plagiador, basta escrever como o Coelho! Basta não ter escrúpulos nem morais, nem artísticos, nem humanos! Basta andar com as modas, com as políticas e com as opiniões! Basta usar o tal sorrisinho amarelo, basta ser muito delicado, e usar cavanhaque! Basta ser flecheiro! Basta ser Coelho!

 Fora o Coelho, fora!  Pim!

 

O Coelho nasceu para provar que nem todos os que escrevem sabem escrever!

O Coelho é um autômato que deita pra fora o que a gente já sabe o que vai sair... Mas é preciso deitar fama!

O Coelho é um mago dele próprio!

O Coelho em gênio nem chega a Acácio e em talento é pim-pam-pum!

O Coelho sorrindo é horroroso!

O Coelho inspira mau agouro!


 Fora Coelho, fora!  Pim!

 

O Coelho é o escárnio da consciência!

Se o Coelho é brasileiro eu quero ser Pindorama!

Que deixe a Academia em paz ou jaz no Lete!

O Coelho é a vergonha da intelectualidade brasileira!

O Coelho é a meta da decadência mental!

E ainda há quem não se envergonhe quando diz admirar o Coelho!

E ainda há quem lhe estenda a mão!

E quem lhe ofereça editoras!

E quem lhe dê cadeira de imortal!

E ainda há quem duvide que o Coelho não vale o que pesa, e que não sabe o que escreve, e que nem é inteligente, e nem chega a dez por cento de zero!

 

Vocês não sabem quem é o “Mago Coelho”? Vou-lhes contar:

A princípio, um plagiador. Ele furta as idéias do Siddhartha, do Cristo, do Ghandi, do Kardec, de Gita, de Esopo. Ele escreve sobre ocultismo, magia negra, sobre Alquimia, sobre si, sobre a vida alheia, e sobre tudo, tudo que desperta a curiosidade dos analfabetos funcionais, dos mal sucedidos no ensino e dos frustrados nos estudos - como ele o é.

Foi criança problemática e adolescente revoltoso com os pais. E fazia do divã o seu oráculo.

Na escola não dava importância ao aprendizado. Dedicava-se aos concursos de poesia e teatro, e sequer prestou para ator nem poeta; escreve poesias sem rimas, sem métrica, sem coerência e sem poesia. 

Não tem bom guardado. Escreve textos, música e livros furtando trechos de pensadores e monta sua obra com fazem as rendeiras as colchas de retalhos. És um hippie de outrora, que repete frases consagradas dos sábios para impressionar seus leitores.

Tentou estudar Direito, mas percebeu que estava errado. O certo era ser hippie! Achou-se! Abraçou as drogas e a macumbaria como nunca abraçou seus pais.

Escreve sobre si próprio com a falsidade de político brasileiro, se auto intitula “o mago”, mas não se confessa nem para si próprio trancado no banheiro, com a luz apagada.

 Andou no Caminho de Santiago para enriquecer sua mentirosa "autobiografia" e vender aos que se interessam pela vida alheia, magia, mistérios e mais.  Mas não anda a pé nem de sua casa até a livraria mais próxima.

O Coelho é fértil e produz demasiadamente, porque serve de alimento pra tantos outros animais que os ingere, digere e o transformam em fezes! Assim é o “mago Coelho”: seus leitores devoram suas obras e defecam na sabedoria, fazendo sujeiras na literatura... e pum!

Escreveu plágios, tantas obras, tantas colunas, tantos artigos que nem sei quantos! São livros, artigos, frases etc. Tem obras por toda parte, tanto que nem capim. O que o Coelho não sabe é que, excetuando o oxigênio, tudo que não presta há em demasia: baratas, ratos... e obras do Paulo Coelho!

 Mas de uma coisa todos sabem: quem escreve muito não tem tempo pra pensar. Ora, plagiar não exige horas de raciocínio. Basta copiar e alterar algumas palavras (como fiz neste Manifesto).

Há Coelho por toda parte. Coelho nas bancas, nas lojas, nos mercados, nas farmácias, nas lanchonetes, nos postos de combustíveis, nos camelôs; Coelho! Coelho! Coelho! Dá Coelho que nem capim!

Fora o Coelho, fora...  Pim!

Sua biografia na ABL mais parece um relatório policial sobre um desordeiro social.

E fique sabendo o Coelho que se um dia houver cultura no Brasil todo o mundo saberá que a Cadeira de um Imortal foi ocupada por uma abóbora.  A imortalidade sofreu apocoloquintose* da sabedoria!

A "Cadeira de Academus" passa a tamborete. Pois nela se atazana a báscula pomposa de um efeminado "a la francês".

E fique sabendo o Coelho que se todos fossem como eu, não terias a oportunidade de infectar a cultura com ocultismo! Haveria preferência às idéias inatas, à erudição e à sabedoria.

Mas julgais que nisto se resume literatura portuguesa? Ou brasileira? Não. Mil vezes não!  É cultura pífia!

Oh, céus! A lâmpada de Aladim foi esfregada por um ignóbil que pediu a imortalidade literária!

O Coelho esfregou a lâmpada!

Sob o efeito mágico da lâmpada, a Academia pôs o “quantum” no lugar da essência!

Fora Coelho, fora!  Pim!

A essência passou a nada, e nada valendo muito. Sócrates, Platão, Drummond e Quintana perderam seus valores; e o Coelho valorizado.

O Coelho é amparado por um grande grupo de literatos que se sentem intelectuais quando estão ao lado de um imbecil, cuja mentalidade é tão fértil como a reprodução dos coelhos.

Os adoradores de Coelho se gabam de chamar o português de “burro”. Mas manifestam tamanha estupidez que até os asnos se envergonham e já andam cabisbaixo.

Com esses Senhores, o Brasil conseguiu classificar-se entre as piores culturas do mundo! Na qual uma criança estuda oito anos e continua analfabeta!

A cultura ruiu! ...  Pim-pam-pum!

Uma “vergonha brasileira” classificou qualquer pessoa que ler sem entender, ou que sebe desenhar as letras do próprio nome, como alfabetizada. É o pum! Essa flatulência que saía por baixo, agora é forçada a sair pela boca de parlamentares, empresários, professores e intelectuais, e entrar no intelecto de um aprendiz... Pelos ouvidos, e não pelo nariz.

Nas escolas, a avaliação deu lugar às notas; a ciência deu lugar às aulas de sexo com ênfase à pornografia; a história deu lugar à revolta do passado com ênfase ao ódio; a literatura deu lugar ao escárnio e pabulagem. É a escola de quem sabe ler e escrever, mas não conseguem entender e explicar.

Os discursos na Academia não passam de masturbação mental. A sociedade já sente prazer de repetir termos chulos: “desculpem o transtorno...”, “sai fora”, “vê se me erra”, “me inclui fora dessa”, “brincadeira tem hora” e “Eu nasci há dez mil anos atrás"! É o pum que não escapa por baixo e sai pela boca de quem tem intestino no lugar de cérebro!

Nossos dicionários já são até suspeitos de discriminação racial por casa de conceitos férteis sobre ciganos.

Fora Coelho, fora!  Pim!

 (*) Este termo não consta no V.O.L.P. Vem do grego “apokolokintosis” (exatamente: “transformação em abóbora”). ‘Apo’ (“ligar; entrar; atar; transformar”) mais ‘colocynte’ (“abóbora”) mais ‘ose’ (sufixo de ação). É o inverso da ideia da fábula “A Gata Borralheira”, que é a transformação da abóbora em uma carruagem de ouro. A palavra compõe o título de uma obra de Sêneca: "Apocolocintose do Divino Cláudio". 

 

Por Edvaldo Martins de Carvalho

(Valto Martins)

Ano 1999