sábado, 12 de novembro de 2022

CALMA AÍ... QUE CALMA É ESSA?

 CALMA: Até o final século XX, no nordeste brasileiro ainda se ouvia os mais idosos dizerem: “Hoje tá uma calma...”; “Que calma é essa!?”. Mas a palavra “calma” já perdeu essa acepção de calor, de quentura, de alta temperatura. Atualmente, “calma” define “ausência de agitação; tranqüilidade; serenidade”. O espanhol e italiano têm ‘calma’, o francês ‘calme’, o inglês ‘calms’, o holandês ‘kal’. Apesar disso a origem da palavra é incerta. A conjectura mais plausível é a que deriva a palavra do baixo latim ‘cauma’ (“calor”), pois “calma” significa em português e espanhol o calor do dia. Houve mudança do “u” em “l”, conquanto não frequente, não é extraordinária. Quem, no atual século XXI, ler a estrofe de “Os Lusíadas” a seguir corre o risco de não entender: “Por fogo, ferro, água, calma e frio” o autor quis se referir a água “tranquila e fria”: “Não cometera o moço miserando / O carro alto do pai, nem o ar vazio / O grande arquiteto com filho, dando / Um, nome ao mar, e o outro, fama ao rio. / Nenhum cometimento alto e nefando / Por fogo, ferro, água, calma e frio, / Deixa intentado a humana geração. / Mísera sorte! Estranha condição!” (CAMÕES, Os Lusíadas, cântico IV, estrofe 104). O teólogo, gramático, lexicógrafo português Frei Domingos cita como exemplo para o verbete “sinal”, uma expressão antiga: "Grande calma, é signal de agua". Ela fala do calor que antecede as chuvas - Frei Domingos Vieira (1775-1857) - Grande Dicionário “Thesouro da Lingua Portugueza”, 1871, Porto/Portugal. No sentido figurado “agitação, calor no ânimo”. Há várias locuções com a terminologia de “calma”: “for em calma” (tranqüilidade, quietação do espírito). Esta oposição dos sentidos figurados liga-se imediatamente à diferença, que não é oposição, dos dois sentidos naturais. “Calma borralho” (locução náutica, o mesmo que “calma morta”), ou “calma podre” (ausência completa de movimento do ar; calmaria). “Calma” passou a significar tranquilidade absoluta no mar, cessação completa de vento, de modo que não haja nem a mínima aragem. Parece mesmo que “calma” (calor, quentura) tem origem diferente de “calma” (feminino de calmo - tranquilo). Assim o “ar calmo” é diferente da “calma do ar”; “mar calmo” é diferente da “calma do mar”. Em alguns textos antigos, em especial na poesia, se acham algumas expressões “calma do espírito”, “calma dos ânimos” etc., para se referir aos ânimos ou espírito quente, fervoroso, agitado. Atualmente, “calma do espírito” significa inquietação espiritual; e “calma dos ânimos” significa tranquilidade. Num diálogo na Ecloga, de Virgilio, a personagem Menalca diz a Dameta: “O’moços, recolhei logo as ovelhas: se a calma como há pouco, retiver o leite, por demais apertaremos as tetas com as mãos, quand’ordenharmos.” (Públio Virgílio Marão (70 - 19 a.C.) – Ecloga III, pag. 22, 1761), ou seja: se o calor afetar demais as ovelhas e houver retenção do leite dificulta a ordenha.

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

MANIFESTO ANTI-COELHO

 

MANIFESTO ANTI-COELHO

Baseado na obra "Manifesto Anti-Dantas", de José de Almada Negreiros, poeta d’Orfeu, futurista, referindo-se a Julio Dantas, poeta, matemático e político português.

(Ouça antes o “Manifesto Anti-Dantas” no You Tube)

https://www.youtube.com/watch?v=Izz4aoZ1Bsw

 

 Basta pum basta!!!

Uma cultura que consente em representar-se por um Coelho é uma cultura que nunca o foi. É um aprendizado de rude, de indignos e de cegos! É uma resma de charlatões e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!

Abaixo essa cultura!

Fora o Coelho, fora!  Pim!

Uma cultura com um Coelho à frente é um trenó puxada a renas impotentes!

Uma geração com um Coelho à proa é uma canoa à deriva!

O Coelho é um fanfarrão!

O Coelho é muito fanfarrão!

O Coelho saberá atirar flechas, fazer poses de Narciso, dar entrevistas, fazer auto-biografia, saberá muitas coisas, menos escrever que é a única coisa que ele faz!

O Coelho pesca tanto sobre misticismo que até escreve plágios!

O Coelho é um habilidoso!

O Coelho usa o “pé” como amoleto!

O Coelho anda à mal maíça!

O Coelho especula e inocula os Imortais!

O Coelho é coelho!

O Coelho é Paulo!

Fora Coelho, fora!  Pim!

 

O Coelho fez uma apologia a Brida que tanto o podia ser apologia a Lesbo, à Cannabis, à Papoula, ou às Bruxas, ou à Verônika, ou às alcoviteiras!

E o Coelho teve claque! O Coelho teve palmas! E o Coelho se engrandece!

O Coelho é um Titivillus!

As escritas que ele faz tem mais erros e menos califasia.

Não é preciso ir a Santiago para ser um "mago", basta ser embusteiro!

Não é preciso ser copista para ser plagiador, basta escrever como o Coelho! Basta não ter escrúpulos nem morais, nem artísticos, nem humanos! Basta andar com as modas, com as políticas e com as opiniões! Basta usar o tal sorrisinho amarelo, basta ser muito delicado, e usar cavanhaque! Basta ser flecheiro! Basta ser Coelho!

 Fora o Coelho, fora!  Pim!

 

O Coelho nasceu para provar que nem todos os que escrevem sabem escrever!

O Coelho é um autômato que deita pra fora o que a gente já sabe o que vai sair... Mas é preciso deitar fama!

O Coelho é um mago dele próprio!

O Coelho em gênio nem chega a Acácio e em talento é pim-pam-pum!

O Coelho sorrindo é horroroso!

O Coelho inspira mau agouro!


 Fora Coelho, fora!  Pim!

 

O Coelho é o escárnio da consciência!

Se o Coelho é brasileiro eu quero ser Pindorama!

Que deixe a Academia em paz ou jaz no Lete!

O Coelho é a vergonha da intelectualidade brasileira!

O Coelho é a meta da decadência mental!

E ainda há quem não se envergonhe quando diz admirar o Coelho!

E ainda há quem lhe estenda a mão!

E quem lhe ofereça editoras!

E quem lhe dê cadeira de imortal!

E ainda há quem duvide que o Coelho não vale o que pesa, e que não sabe o que escreve, e que nem é inteligente, e nem chega a dez por cento de zero!

 

Vocês não sabem quem é o “Mago Coelho”? Vou-lhes contar:

A princípio, um plagiador. Ele furta as idéias do Siddhartha, do Cristo, do Ghandi, do Kardec, de Gita, de Esopo. Ele escreve sobre ocultismo, magia negra, sobre Alquimia, sobre si, sobre a vida alheia, e sobre tudo, tudo que desperta a curiosidade dos analfabetos funcionais, dos mal sucedidos no ensino e dos frustrados nos estudos - como ele o é.

Foi criança problemática e adolescente revoltoso com os pais. E fazia do divã o seu oráculo.

Na escola não dava importância ao aprendizado. Dedicava-se aos concursos de poesia e teatro, e sequer prestou para ator nem poeta; escreve poesias sem rimas, sem métrica, sem coerência e sem poesia. 

Não tem bom guardado. Escreve textos, música e livros furtando trechos de pensadores e monta sua obra com fazem as rendeiras as colchas de retalhos. És um hippie de outrora, que repete frases consagradas dos sábios para impressionar seus leitores.

Tentou estudar Direito, mas percebeu que estava errado. O certo era ser hippie! Achou-se! Abraçou as drogas e a macumbaria como nunca abraçou seus pais.

Escreve sobre si próprio com a falsidade de político brasileiro, se auto intitula “o mago”, mas não se confessa nem para si próprio trancado no banheiro, com a luz apagada.

 Andou no Caminho de Santiago para enriquecer sua mentirosa "autobiografia" e vender aos que se interessam pela vida alheia, magia, mistérios e mais.  Mas não anda a pé nem de sua casa até a livraria mais próxima.

O Coelho é fértil e produz demasiadamente, porque serve de alimento pra tantos outros animais que os ingere, digere e o transformam em fezes! Assim é o “mago Coelho”: seus leitores devoram suas obras e defecam na sabedoria, fazendo sujeiras na literatura... e pum!

Escreveu plágios, tantas obras, tantas colunas, tantos artigos que nem sei quantos! São livros, artigos, frases etc. Tem obras por toda parte, tanto que nem capim. O que o Coelho não sabe é que, excetuando o oxigênio, tudo que não presta há em demasia: baratas, ratos... e obras do Paulo Coelho!

 Mas de uma coisa todos sabem: quem escreve muito não tem tempo pra pensar. Ora, plagiar não exige horas de raciocínio. Basta copiar e alterar algumas palavras (como fiz neste Manifesto).

Há Coelho por toda parte. Coelho nas bancas, nas lojas, nos mercados, nas farmácias, nas lanchonetes, nos postos de combustíveis, nos camelôs; Coelho! Coelho! Coelho! Dá Coelho que nem capim!

Fora o Coelho, fora...  Pim!

Sua biografia na ABL mais parece um relatório policial sobre um desordeiro social.

E fique sabendo o Coelho que se um dia houver cultura no Brasil todo o mundo saberá que a Cadeira de um Imortal foi ocupada por uma abóbora.  A imortalidade sofreu apocoloquintose* da sabedoria!

A "Cadeira de Academus" passa a tamborete. Pois nela se atazana a báscula pomposa de um efeminado "a la francês".

E fique sabendo o Coelho que se todos fossem como eu, não terias a oportunidade de infectar a cultura com ocultismo! Haveria preferência às idéias inatas, à erudição e à sabedoria.

Mas julgais que nisto se resume literatura portuguesa? Ou brasileira? Não. Mil vezes não!  É cultura pífia!

Oh, céus! A lâmpada de Aladim foi esfregada por um ignóbil que pediu a imortalidade literária!

O Coelho esfregou a lâmpada!

Sob o efeito mágico da lâmpada, a Academia pôs o “quantum” no lugar da essência!

Fora Coelho, fora!  Pim!

A essência passou a nada, e nada valendo muito. Sócrates, Platão, Drummond e Quintana perderam seus valores; e o Coelho valorizado.

O Coelho é amparado por um grande grupo de literatos que se sentem intelectuais quando estão ao lado de um imbecil, cuja mentalidade é tão fértil como a reprodução dos coelhos.

Os adoradores de Coelho se gabam de chamar o português de “burro”. Mas manifestam tamanha estupidez que até os asnos se envergonham e já andam cabisbaixo.

Com esses Senhores, o Brasil conseguiu classificar-se entre as piores culturas do mundo! Na qual uma criança estuda oito anos e continua analfabeta!

A cultura ruiu! ...  Pim-pam-pum!

Uma “vergonha brasileira” classificou qualquer pessoa que ler sem entender, ou que sebe desenhar as letras do próprio nome, como alfabetizada. É o pum! Essa flatulência que saía por baixo, agora é forçada a sair pela boca de parlamentares, empresários, professores e intelectuais, e entrar no intelecto de um aprendiz... Pelos ouvidos, e não pelo nariz.

Nas escolas, a avaliação deu lugar às notas; a ciência deu lugar às aulas de sexo com ênfase à pornografia; a história deu lugar à revolta do passado com ênfase ao ódio; a literatura deu lugar ao escárnio e pabulagem. É a escola de quem sabe ler e escrever, mas não conseguem entender e explicar.

Os discursos na Academia não passam de masturbação mental. A sociedade já sente prazer de repetir termos chulos: “desculpem o transtorno...”, “sai fora”, “vê se me erra”, “me inclui fora dessa”, “brincadeira tem hora” e “Eu nasci há dez mil anos atrás"! É o pum que não escapa por baixo e sai pela boca de quem tem intestino no lugar de cérebro!

Nossos dicionários já são até suspeitos de discriminação racial por casa de conceitos férteis sobre ciganos.

Fora Coelho, fora!  Pim!

 (*) Este termo não consta no V.O.L.P. Vem do grego “apokolokintosis” (exatamente: “transformação em abóbora”). ‘Apo’ (“ligar; entrar; atar; transformar”) mais ‘colocynte’ (“abóbora”) mais ‘ose’ (sufixo de ação). É o inverso da ideia da fábula “A Gata Borralheira”, que é a transformação da abóbora em uma carruagem de ouro. A palavra compõe o título de uma obra de Sêneca: "Apocolocintose do Divino Cláudio". 

 

Por Edvaldo Martins de Carvalho

(Valto Martins)

Ano 1999

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

O Adicto


O   A D I C T O
21/04/2015

Edvaldo Martins de Carvalho
 (Valto Martins)

Quem na vida já viveu
De algo foi dependente
Sabe como é difícil
Tudo é dificilmente
Se for drogas e afins
Mas a coisa fica ruim
Quando é da nossa gente

Falo aqui dum doente
Que perdeu sua noção
Que conversa com as placas
E namora com orelhão
Seu amigo imaginário
É companheiro diário
Com quem tem sua afeição

E por falta de amparo
Começa a cheirar cola
E por falta de noção
Foge logo da escola
Seu lar não lhe interessa
A vida não tem pressa
Se ele vive de esmola

Leva coisa na sacola
Que ninguém vai perceber
Faz coisas na vida 
Pra família não saber
Compra e vende escondido
Faz papel de bandido
Pra no vicio se manter

No mundo não se aceita
Tratar o chamado "noia"(1)
A polícia tá de espreita
Até o governo apoia
A sociedade o rejeita
O traficante lhe aceita
"Legalize"(2) é uma pinoia!
1 - Noia: dependente químico; usuário de drogas. Vem da redução de paranoia – delírio, loucura.
2 - Legalize-já: lema do movimento de legalização da maconha, difundida por pichações e músicas, pois é promovido pelos verdadeiros traficantes, que não pode aparecer.

Quem diz que droga é joia
Dependente dela é
Invés de esposa em casa
Tem a puta em cabaré
Na companhia do mal
Come cru e sem sal
Sem alimento da fé
 
Ele queima o banzé(3)
Cheira o maldito pó
Injetando "herói" na veia
Um mondongo(4) que dá dó
Assim traduz um adicto(5)
Que depende do “maldito”
Até soltar-se do nó.

3 - Banzé: fumo picado, pronto para enrolar o cigarro. Neste caso, a erva da maconha.
4 - Mondongo: pessoa suja; origem: resto das tripas de animal ao limpar, na manufaturamento (a mão) de linguiça; 
5 - Adicto: afeiçoado; inclinado; dependente. Nos Narcóticos ou Alcoólicos Anônimos, "um adicto é simplesmente um homem ou uma mulher cuja vida é controlada pelas drogas".

"É ruim por si só
Qualquer forma de vício"
Dizia Santo Agostinho,
Um filósofo patrístico
Pra seguir a nova trilha
Peça ajuda a família
Não importa o sacrifício

Largado num hospício
Ou em psiquiatria
É o destino de quem
Um bandouba(6) parecia
Vivendo um maltrapilho
Ou até como andarilho
Por culpa do que fazia

6 - Bandouba: restos de intestinos (tripas); indivíduo imundo.

Muitos deles jazia
Na cova de seu destino
Outros sujam seu nome
Pendurado em fio fino
Vendendo o que já deve
Praticando o que descreve
"Arrebate de inopino"(7)
7 -  ''Arrebatamento de inopino" é o furto rápido, como fazem os "batedores de carteira". O termo era usado pela polícia até meado de 1980. Depois apelidado de "punguista".

Vejam só lá um menino
Que drogas não aguenta
Cheirando um esmalte
Da mãe que o afugenta
Jogado à própria sorte
Deixando, vai à morte
Se a fome o sustenta

Do adulto então lamenta
Porque ele nega pão,
Mas aparece alguém
E lhe estende a mão
Invés de dar guarida
Ou oferecer comida
Lhe arrastam pra prisão
 
Logo vem a solução
Pra tão difícil dilema
As famigeradas ONGs(8)
Montando estratagema
Oferece um "charuto"
Alegam evitar furtos,
Mas faz parte do esquema
 8 - "Organizações Não Governamentais". Grande parte delas têm cunho político, envolvendo em corrupção (lavagem de dinheiro). A maior gravidade é quando os grupos criminosos lavam seu dinheiros sujos abrindo ONGs que insistem em defender seus crimes, e para isso enfraquecem a fiscalização e a repressão.

Como pode um problema
Ser resolvido assim
Por alguém envolvido
Do princípio ao fim
O dependente sustenta
A corrupção nojenta
De um sistema ruim
 
Se um político é afim
Da tal "legalização"
Ele está é envolvido
Com a "traficação"(9)
O adicto é comprado
Está ele dominado
Pelos grupos de ação
9 - Gíria para "traficância" - colaboração com a rima, por licença poética.

Governantes farão
As providências cabíveis
Da repressão ao tráfico
Por todos seus níveis
Mas dum jeito moroso
Eles são oprobrioso
E criminosos passíveis

Como será possível
A legal internação
Uma clínica o apóia
Se houver aceitação
Pra tratar da tal doença
Deve dele a anuência
Senão vira uma prisão

Depois de já tratado
Com corpo e mente sã
Se não tratar a família
A volta à casa é vã
Só terá vida sadia
Se tratar a trilogia:
Adicto, família e o "clã"(10)
 10 - grupo em que um individuo faz parte numa sociedade.

Digas-me, amigo grã
Com quem tu andarás
Lhes direi quem tu és
Também o que farás
São palavras de Jesus
Aceitas quem te conduz
E direi-lhe quem serás

Dos Idos dos zagais
Há um dito tão belo
Quem anda com porco
Só come o farelo
Assim é um adicto
Ele se encaixa no dito
Se não corta seu elo

A justiça do martelo
Condena quem anda junto
Pois ele é coautor
E responde em conjunto
E se anda em mais de três
Ele também é freguês
Isso agrava o assunto

Resta ao dependente
Limpar-se por completo
Nome, corpo e alma
E de paz estar repleto
Com pensamento tranquilo
Guardar tudo em sigilo
Pois não era o correto.

Vá pensando no assunto
A volta pra cidade
Lá é muito diferente
Tem isca pra toda gente
O anzol é de verdade

Mas... da sociedade
A espera é muito triste
Reza e desapega
Terás quem lhe assiste?
Invista em sua vida
Não entre em recaída
Sem essa! Não desiste(11)

11 - O tempo correto do verbo é o imperativo "desista!". A forma no infinitivo "desiste!" já é falada no Brasil e foi utilizado assim por licença poética, em detrimento da rima.



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terça-feira, 4 de setembro de 2018

POLÊMICA

POLÊMICA:
Tudo que provoca discussão "no sentido de disputa". A palavra vem do grego ‘polemikê' ("arte da guerra, ciência do combate"), pelo francês ‘polemique' (1578) adjetivo "guerreiro", (relativo a "disputa por escrito", 1584), (substantivo "discussão, controvérsia por escrito",1619). No Dicionário de Morais, de 1813, consta "controverso, de disputa. Ataque ou combate, e defesa das cidades e praças". O Dicionário "Grande Thesouro da Lingua Portugueza", 1871, do Frei Domingos Vieira, define como "que pertence a disputa por escrito" (escritor polemico). "Obras polêmicas" (obras que se fazem nas disputas literárias, para sustentar uma opinião contra outra). A mídia (jornalistas e apresentadores) sempre utiliza a palavra para definir algo chocante, contra os bons costumes, publicações de comportamentos libertinos de artistas, ofensas, arbitrariedade políticas, decisões pessoais e classistas de juízes etc., que em verdades não são polêmicas (não dividem opiniões, mas contraria toda a sociedade de uma só vez). Como a palavra é definida como "guerra, disputa, combate", deve haver dois "exércitos"; dois "times". Ou seja, deve haver "duas opiniões contrárias"; o fato deve "dividir opiniões", que fica difícil de se saber qual a "opinião pública", a que deve prevalecer como correto para a sociedade. Sendo assim pode se tratar como "polêmica". Nestes casos, na democracia grega, o imperador convocava o povo para decidir em votação, com favas(grãos preto e branco) ou ostras (cacos de louça). Esses procedimentos geraram os ditos populares "favas contadas" e "ostracismo".

segunda-feira, 1 de maio de 2017

PAU DE ARARA

    Segundo o Dicionário Houaiss, “pau de arara” é o suporte de madeira no qual os sertanejos conduzem araras, papagaios e outras aves trepadoras, para vender, cujo transporte era feito com as aves penduradas pelos pés num pau que se carregava nos ombros e também em exposição nas feiras-livres.
    Mas o termo ganhou destaque definindo o caminhão, de carroçaria aberta, no qual se fixa armadura de madeira, coberta por lona, utilizado no transporte de retirantes no sertão brasileiro e no México, o qual está sendo substituído por ônibus. É também como ficou conhecido o instrumento de tortura que consiste num pau roliço em que o torturado é pendurado pelos joelhos e cotovelos flexionados; cambau. Inicialmente o caminhão transportava pessoas em pé e segurando no alto da armadura de madeira, que se assemelhava ao transporte das aves penduradas (depois foi aprimorado com bancos de tábuas). 
    Pela semelhança, o caminhão foi apelidado de “pau de arara”, assim como o instrumento de tortura, em que o indivíduo fica pendurado.

PNEUMOULTRAMICROSCOPICOSSILICOVULCANOCONIOSE

    A maior palavra da língua portuguesa define uma termo de Medicina e surgiu no século XX. "pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose". É a doença pulmonar aguda causada pela aspiração de cinzas vulcânicas. É a maior palavra da língua portuguesa, composta por quatro radicais gregos e três latinos.
   Pneumo (do grego ‘pneúmon’: “pulmão, ar”); Ultra (do latim ‘ultra’: “além; para além de; fora de”); Micros (do grego ‘mikró’: “fração milionesimal; não visível a olho nu”); Cópico (do grego ‘skopéo’: “olhar atentamente; examinar, observar”); Silico (do latim ‘silex’/‘silicis’: “seixo; pedra; espécie de lava que servia para construção de casa”); Vulcano (do latim ‘vulcanus’: “vulcano; fogo; labareda; deus do fogo”); Coniose (grego ‘kónis’: “poeira; pó suspenso no ar; poeira em forma de cone”) – chamada assim pelas formações cônicas que forma a poeira dos furacões. Assim como a palavra otorrinaringologista é abreviada como simplesmente “otorrino”, pode se facilitar a pronúncia do palavrão como “pneumoconiose”.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

SOFRENÇA


SOFRENÇA
A palavra "sofrença"(Ç) já existiu na ortografia portuguesa e ainda é falada no Nordeste brasileiro. Significava "sofrimento; padecimento", principalmente "sofrer por tolerância ou resistência à paixão". Mas o termo entrou em evidência no Brasil devido ao gênero musical conhecido como “arrocha”. Nele, em 
letras e títulos, a palavra foi equivocadamente escrita como “sofrência” em uma música, porque lá no Nordeste brasileiro a palavra ainda é conhecida, mesmo sendo extinta do VOLP. Descobriram que o termo não existe nos Dicionários. Logo a palavra entrou em evidência na mídia e muitos etimologistas justificaram como sendo um neologismo de “sofrimento” e “carência”, que, sem pesquisar, não perceberam que a palavra “sofrença” já existiu na língua portuguesa e mesmo que o termo tenha desaparecido na nova ortografia, continuava sendo falada (século XXI) na mesma região em que o grupo musical surgiu, e onde é comum se atribuir “sofrença” a quem sofre por paixão ou um "sofrimento leve e prolongado". Claro que na pronúncia, a terminação “-ença” e “-ência” têm diferença imperceptível, pela tradição falada. 
     O gênero musical mistura o ritmo sertanejo, o ritmo arrocha e o estilo brega. As canções desse gênero falam sobre decepção amorosa, ciúme exagerado e amor não correspondido (era o significado tradicional de “sofrença”). Quiçá a ideia de neologismo foi uma saída para explicar o registro do “erro” na letra da música. Tendo que ressuscitar um conceito antigo, a forma culta seria como ela constava antes.
    O Diccionario da Lingua Portugueza, 1813, de Antônio de Morais Silva, e o Dicionário “Thesouro da Lingua Portugueza”, 1871, do Frei Domingos Vieira, já registravam o verbete como sendo um substantivo feminino antiquado. E define “sofrimento” como “ato ou efeito de sofrer. Padecimento. Dor. Amargura. Paciência. Desastre.”. No Dicionário da Língua Portuguesa de 1913, de Antônio Cândido de Figueiredo, traz o verbete como “forma antiquada. O mesmo que sofrimento.”. E “sofrimento” definido como “tolerância, paciência, aos abusos, aos crimes, e até na religião” (talvez, referência à Inquisição).
   Mas O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, de 2001, não registra o termo, mas faz duas referências a “sofrença” como etimologia da palavra “sofrimento”. Uma delas, como exemplo no verbete “sofr-“; outra, na etimologia da palavra “sofrimento”, que remete a 1450. Portanto, o termo “sofrença” já existiu na língua portuguesa; e “sofrencia”, terminada em "cia", nunca existiu. A palavra "sofrença" foi substituída por “sofrimento” em razão das mudanças ortográficas na língua portuguesa. 
     O filólogo e dicionarista Antônio Houaiss explica que o sufixo “-ença” permaneceu para algumas regras e é formador de substantivos abstratos oriundos de verbos outros da 1ª conjugação; ocorreu o desenvolvimento da forma culta paralela “-ência”, gerando por vezes divergentes (como as terminações de “pertença”: “pertinência”): atença, avença, benquerença, conhecença, convalescença, crença, crescença, desavença, descrença, detença, diferença, doença, fervença, malquerença, nascença, parecença, reconhecença, renascença, sabença, tença, valença. O sufixo “-ência” permanece com a regra para sufixo formador de substantivos abstratos oriundos de verbos outros que da 1ª conjugação; como no caso de “-ância” e “-ança”, este é a forma culta paralela de “-ença”, que, a partir do Renascimento, se difunde de tal arte que de certo modo estanca a fecundidade de “-ença”: abnuência, abrangência, absorvência, abstergência, abstinência, acedência, acrescência, aderência etc.; numa relação de 455 palavras com esse “-ência” (já em explícita relação com verbos da língua portuguesa, já em relação à forma latina em que essa relação está obliterada, caso, por exemplo, de excelência, magnificência, reverência), há sempre esse sufixo. Em suma, com a mudança ortográfica, algumas palavras mudaram a forma de sufixação. Um dos exemplos é “sofrença” para “sofrimento” - com a mesma acepção no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), em 2001.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

À FOLOTE

Se diz “à folote”, e às vezes pronunciado "à folota", quando se tem em abundância. “Folote” é adjetivo de dois gêneros. Vem do latim ‘follis’ (“fole”, de soprar, mais o sufixo “-ote”). O termo era mais usado no Brasil nos estados de Pernambuco, Alagoas, Piauí. “Folote” é frouxo (diz-se de comportamento), lasso, muito largo (diz-se geralmente, de roupa), a gosto, confortável, à vontade, em abundância (diz-se de coisas e objetos).